O olhar da indiferença é o que mais dói

 

Praça de Sé, 13°C, Centro de São Paulo, 22 de agosto de 2017

São Paulo, a maior cidade do país, com 11.604.366 habitantes segundo projeções do IBGE, tem atualmente entre 20 e 25 mil moradores de rua.

Um deles dormia ao relento na fria manhã desta terça-feira, no Viaduto Maria Paula (Centro), envolto num cobertor cinza, semelhante a matiz do céu paulistano.

Pedestres cruzavam o corpo sem rosto, recolhido e encostado no meio fio. Dele desviavam, como se nada ali houvesse.

Os motivos que levam alguém às ruas são múltiplos e variados. Desemprego, atritos familiares, desilusões amorosas, vícios, depressão, incompreensão social etc.

A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social tem 85 albergues espalhados pela cidade, os quais oferecem 9 mil vagas às pessoas em condições de rua. Porém, no pico de inverno, mais de 1,2 mil leitos ficam ociosos, pois vários dos possíveis albergados não aceitam ser acolhidos nos Centros de Atendimento da Prefeitura.

A Pasta da Assistência Social tem 1.284 contratos, com cerca de 300 entidades, que consomem R$ 1 bilhão em recursos públicos para abrigar moradores de rua, cuidar de idosos, crianças, adolescentes, mulheres vítimas de violência etc.

Com tanto recursos empregados, se esse trabalho não está sendo eficiente, alguma coisa precisa ser mudada.

O Instituto Nacional de Meteorologia registrou ontem a segunda tarde mais fria do ano na Capital. Às 15h os termômetros marcavam 12,8°C. O índice ficou atrás apenas dos 10,2°C mensurados em 18 de julho.