Moradores da Vila Industrial reclamam da falta de segurança na região

Bairro no limite dos distritos de Vila Prudente e Sapopemba tem aumento exponencial de assaltos a pedestres, além do crescimento de roubos e furtos de veículos

 

Por Alexandre de Paulo (texto e fotos)

 

O ponto de ônibus em frente ao condomínio Avante Clube, no número 277 da rua Pascoal Ranieri Mazzili, na Vila Industrial, entre os distritos de Vila Prudente e Sapopemba, já é apontado pelos vizinhos como um dos locais mais perigosos da região. A frequência com que os moradores são assaltados neste ponto específico fez com que o síndico do residencial e uma comissão de moradores procurassem o vereador Caio Miranda Ribeiro (PSB), com o intuito de discutir formas de aumentar a segurança no local. Só para se ter uma ideia da gravidade do problema, uma moradora foi assaltada sete vezes no intervalo de cinco meses.

O vereador Caio Miranda Carneiro e o chefe de gabinete João Gomes, acompanhados do subinspetor Domingues – da Guarda Civil Metropolitana (GCM) -, se reuniram ontem com o conselheiro do condomínio, Thiago Marangoni, o síndico Eder Raunainer e o diretor do Clube da Comunidade (CDC) Santo Antônio, Geraldo Nóbrega, e outros moradores.

 

“No ponto de ônibus aqui em frente ao condomínio tem havido muitos roubos, inclusive com grave ameaça. De manhã há mais assaltos às pessoas; no fim de tarde e início da noite o alvo são os carros nas ruas do entorno”, alertou Marangoni.

“Tivemos que adotar medidas para tentar proteger os moradores, como deixa-los esperando ônibus do lado de dentro das grades. O porteiro observa por um espelho instalado no poste e avisa a linha do coletivo que se aproxima. Só aí o morador vai para o ponto”, explica o síndico Raunainer. Ele diz que procura orientar as vítimas quanto à importância do registro de boletins de ocorrências na delegacia (ou até mesmo on-line, quando não há ameaça), para que a Secretaria de Segurança Pública (SSP) possa ter ciência dos problemas e agir a partir das estatísticas criminais. Porém, ressalta que muitos moradores estão descrentes com “as autoridades”.

A violência não está limitada ao entorno dos prédios. “Outro problema que tem crescido muito aqui é o roubo e furto de veículo”, aponta Nóbrega. “Até desova de carros tem acontecido na região”, complementa.

A administração do condomínio delimitou uma área interna nos fundos para que os moradores possam passear tranquilamente com seus amimais de estimação, pois até cães chegaram a ser roubados nas redondezas. “Eles (os criminosos) atuam normalmente de moto e fazem uma espécie de arrastão. Levam carteiras e celulares. Uma pessoa aqui do prédio foi assaltada sete vezes”, lembrou Thiago.

Uma das reivindicações da comissão é a possibilidade de instalação de uma base móvel da GCM. “O maior problema da GCM é com o efetivo. Não adianta instalar bases, móveis ou fixas, e não ter guardas suficientes para trabalhar. O que podemos fazer, de imediato, é aumentar as rondas na região”, disse o subinspetor Domingues.

“O aumento do efetivo da guarda na região (e em toda cidade) seria o ideal. Mas penso que uma parceria entre a GCM e o CDC pode ser muito boa para o bairro. Não só na questão de segurança, que no momento é primordial, mas também na área cultural. O espaço do CDC, que é bastante amplo, pode ser cedido para os ensaios da banda da GCM. Os membros também podem contribuir dando aulas de música à comunidade, por exemplo,”, disse o vereador Caio.

Outro problema observado por Caio foi a proximidade das quatro faixas de pedestres com as esquinas, no cruzamento das ruas Paschoal Ranieri Mazzilli e Moisés Rodrigues dos Santos.

“É ruim para o pedestre e para o motorista. Fica muito em cima. É perigoso. Ao fazer a curva o carro já ‘queima’ a faixa”, disse.

Pedestres que atravessavam a rua também reclamaram da alta velocidade dos ônibus e veículos que circulam na rua. “A instalação de lombadas na via forçará os motoristas a trafegarem mais devagar”, disse Marangoni.

“Há pelo menos duas escolas nas proximidades. Muitas crianças circulam por aqui e correm o risco de serem atropeladas”, finalizou Caio.