“Sem a participação da sociedade a sustentabilidade não avançará”, diz Caio Miranda, que defende objetivos da ONU em SP

Vereador falou para estudantes na Universidade Presbiteriana Mackenzie em evento sobre urbanismo, representando a Frente Parlamentar pela Agenda 2030 da Câmara de SP

 

 

Por Antonio Matiello

Fotos: Alexandre de Paulo

 

O vereador Caio Miranda (PSB) disse nesta quinta-feira (24/5) que sem a sociedade civil organizada e a universidade, ou seja, os jovens, as pautas de sustentabilidade de longo prazo nunca serão articuladas de forma efetiva. “Não esperemos engajamento dos políticos tradicionais nesse tipo de agenda para o futuro de todos, pois eles só pensam no curto prazo, na próxima eleição”, afirmou ele.

Caio falou no Ciclo de Palestras Estratégias Projetuais em Paraisópolis, organizado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. O vereador, que no evento representou a Frente Parlamentar pela Agenda 2030 da Câmara Municipal de São Paulo, é um dos autores da lei que reconhece o comprometimento da cidade com os ODss (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da iniciativa.

 

Vereador Caio Miranda Carneiro (à dir) e o mediador do debate, professor e pesquisador da FAU Mackenzie, Carlos A. Hernández A.

 

O vereador, que tem outros projetos de lei e mesmo leis aprovadas alinhados com o conceito de sustentabilidade, lembrou uma de suas visitas a Paraisópolis. “Quem não tem nada, quando tem um pouco acha que tem tudo”, ponderou ao falar de uma moradora da comunidade que lhe dizia haver tudo lá, como escola, banco, creche, mercadinhos etc. “Para aquela mulher, o pouco que passou a ter, com estes serviços básicos, conferiu-lhe mais respeito e valorização como cidadã. E isso para ela é tudo”, concluiu Caio Miranda.

Também é autor da chamada Lei do Xixi, que prevê multa para quem urinar no espaço público – uma postura de higiene e saúde pública – e tramita na Câmara um projeto de lei sobre o descarte sustentável e consciente de lixo eletrônico, que envolve a indústria eletroeletrônica na logística reversa prevista no Plano Nacional de Resíduos Sólidos Urbanos.

No âmbito da lei de renovação da frota de ônibus da cidade, que prevê a matriz fóssil para os combustíveis, ao contrário da legislação aprovada em 2009, ele propôs uma emenda dando um prazo de 10 anos para troca completa por fontes renováveis.

Discussão do PNUD na Câmara

Antes do vereador falou o coordenador do Grupo 2030 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Haroldo Machado, especialista nos ODSs da Agenda 2030. Segundo ele, o desenvolvimento por si só não é sustentável. “Somos nós, seres humanos, que somos capazes e temos a obrigação de fazer dele um processo sustentável”, disse Machado.

Haroldo Machado, especialista nos ODSs da Agenda 2030 e coordenador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

 

Ele mostrou mapas do Brasil indicando a curva de melhoria do índice de desenvolvimento humano do país, de 1991, às vésperas da Rio 92, conferência das Nações Unidas onde primeiro se ouviu a expressão “desenvolvimento sustentável”, até 2015, com avanços significativos.

O técnico da Organização das Nações Unidas (ONU) salientou que a Agenda 2030, mais que da Organização, é de 193 países signatários do manifesto, montado a partir de pesquisas com cerca de 7 milhões de pessoas no mundo inteiro. Ele mostrou que de 2000 a 2015 a Agenda elencou oito objetivos, 21 metas e 60 indicadores de avanços. De 2016 a 2030 já são 17 objetivos, 169 metas e 231 indicadores.

Caio pediu ao técnico para organizar um evento semelhante da Câmara de Vereadores de São Paulo, ao que Haroldo respondeu que no início de junho lança na Câmara dos Deputados, em Brasília, o documento Os Parlamentos e os ODS, e que depois tem todo o interesse em trazer o debate para o legislativo municipal da capital paulista.

Arquitetura e Urbanismo mudando a realidade

Professor Carlos Murdoch, coordenador da Universidade Veiga de Almeida, do Rio de Janeiro

 

O professor Carlos Murdoch, coordenador da Universidade Veiga de Almeida, do Rio de Janeiro, falou sobre Paraisópolis e os projetos urbanos desenvolvidos na comunidade. Ao se dirigir à plateia de estudantes ele foi enfático: ”Vocês são o principal agente da mudança do Século XXI”. Para ele, dos 17 ODSs apresentados por Haroldo Machado em sua palestra, pelo menos nove estão diretamente ligados ao ambiente acadêmico do urbanismo e da arquitetura.

Cláudia Lima, professora formada pela Mackenzie e coordenadora do Curso de Arquitetura e Geografia da Universidade de Concepción (Chile)

 

A professora Cláudia Lima, brasileira formada pela Mackenzie e hoje coordenadora do Curso de Arquitetura e Geografia da Universidade de Concepción, no Chile, abordou temas como urbanismo e realidades sociais urbanas na perspectiva crítica dos problemas das grandes cidades da América Latina. Ela lembrou que até 2050, segundo as Nações Unidas, mais da metade da população mundial estará vivendo nas cidades.

Mas o que de fato é o PNUD?

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) é o órgão da ONU que tem por mandato promover o desenvolvimento e erradicar a pobreza no mundo.

Estudantes e professores assistem abertura do workshop com palestra Haroldo Machado, especialista nos ODSs da Agenda 2030

 

O PNUD trabalha em mais de 170 países, entre eles o Brasil, auxiliando a erradicação da pobreza, a redução da desigualdade e a exclusão. Em parceria com governos de todas as regiões, o programa auxilia no desenvolvimento de políticas públicas, formação de lideranças, capacidades institucionais e na construção de estruturas resilientes que sustentem o desenvolvimento sustentável.

Luciana Tuszel, Coordenadora de Projetos  – Transparência e ODS, da ONU Habitat

 

O período da tarde foi aberto com palestra da Coordenadora de Projetos  – Transparência e ODS, da ONU Habitat, Luciana Tuszel, que falou sobre o Programa Cidades Abertas e a Inovação na Gestão Pública.

O evento se estende até o dia 30 de maio. Acompanhe a programação no Facebook Confira aqui