PM Katia, puxadores de votos e moedas partidárias: veja novo vídeo de Caio Miranda

Vereador Caio Miranda Carneiro explica o que está por trás das celebridades convidadas por partidos para concorrer nas eleições e como isso prejudica o desenvolvimento político do Brasil

 

 

Por Fábio Busian

Foto: Alexandre de Paulo

 

A policial militar ficou conhecida em todo o Brasil em maio deste ano, ao reagir a uma tentativa de assalto em frente à escola, na cidade de Suzano (SP), onde estuda seu filho. Katia Sastre matou o criminoso, que intimidava pais e mães com uma arma em punho, com três disparos.

Aproveitando toda a discussão em torno do ocorrido, Sastre se filiou ao Partido da República (PR) e vai se candidatar ao cargo de deputada federal nas próximas eleições.  “Para quem sonha com renovação da nossa política, a candidatura da PM Katia é uma péssima notícia, pois ela representa justamente a velha política. Ela justificou sua candidatura ‘pela honra e pelas mãos de Deus’”, avalia o vereador Caio Miranda Carneiro.

Para o parlamentar, é louvável que a policial tenha sua fé, mas se candidatar está acima desse tipo de discurso. “Se a PM quer ser deputada, ela tem que fazer isso porque acredita, sinceramente, que suas ideias e propostas vão melhorar a vida das pessoas. Quem entra na política pra louvar a Deus está errando”, avalia Caio.

“Assim como seus ídolos Bolsonaro e Tiririca, Katia vai servir como ‘puxadora’ de votos para o seu partido (PR)”, aponta Caio

 

Inspirações duvidosas

Para Caio, as inspirações políticas de Katia agravam mais ainda seus erros. “A policial acredita que os deputados Bolsonaro e Tiririca são referência para sua candidatura, isso é inaceitável”, avalia. “Eu não vou avaliar aqui se as ideias do Bolsonaro são boas ou ruins, irei me restringir a um aspecto bem objetivo: a sua produção legislativa. Depois de sete mandatos consecutivos na Câmara, 26 anos no cargo, Jair aprovou apenas duas leis: uma privilegiando um determinado setor com isenção tributária e a outra autorizando o uso da ‘pílula do câncer’, lei que foi suspensa pelo STF, por que não há qualquer comprovação científica de eficácia desse ‘medicamento’”, explica.

Caio lembra que um deputado federal custa cerca de dois milhões de reais anuais aos cofres públicos. “Nós pagamos perto de 56 milhões de reais para que o Bolsonaro conseguisse aprovar uma única lei que, de fato, entrou em vigor”, critica.

“Para fins de comparação, em um ano de mandato como vereador suplente em São Paulo, já aprovei seis leis, que vão da redução de poluição no transporte público, até a desburocratização e fomento ao empreendedorismo na cidade. Ou seja, pra quem quer, dá pra trabalhar muito na política”, esclarece o vereador.

Sobre a segunda inspiração da PM Katia, o Tiririca, Caio afirma que o artista teve uma produção legislativa ainda pior que o Bolsonaro.  “Foram até agora dois mandatos na Câmara, oito anos, e nenhum projeto aprovado. E esse passeio do Tiririca por Brasília custou aos cofres públicos, até agora, quase 17 milhões de reais”.

Puxadora de votos, um péssimo exemplo
Falando sobre o partido ao qual a PM resolveu se filiar, Caio lembra que o líder do PR, Valdemar Costa Neto, já discutiu as condições para que Katia concorra às eleições e a avalia como uma potencial candidata e puxador de votos. “Valdemar é, ninguém mais que um político condenado a quase oito anos de prisão por participar do esquema do mensalão. Mas já está solto e, pelo visto, fazendo política”, critica.

O PR estima que Katia consiga até 500 mil votos. “Ou seja, assim como seus ídolos Bolsonaro e Tiririca, a Katia vai servir como ‘puxadora’ de votos pro seu partido”, diz Caio. O vereador explica que para eleger um deputado federal em São Paulo é preciso cerca de 300 mil votos. “Se ela atingir o número de eleitores que o partido prevê, a diferença vai ser transferida para outro candidato, ajudando a eleger mais deputados desse partido ou coligação. É a regra do quociente eleitoral”, coloca Caio.

“Entendeu agora por que alguns partidos ficam cobiçando candidatos celebridades como atletas, palhaços e participantes de Big Brother?  O que os partidos querem é ter uma bancada numerosa no Congresso Nacional”, aponta Caio.

Toma lá, dá cá

Hoje, no Brasil, existem 37 partidos. Para Caio, grande parte deles não tem ideologia ou projeto de país. “A maioria só pensa em uma coisa quando decide apoiar esse ou aquele governo: o que pode ganhar em troca. Cargos, ministérios, estatais etc.”, coloca.

Mas o vereador vê esperança e acha que as coisas já estão melhores. “O quadro é deprimente, eu sei, mas ainda assim sou um cara otimista. Acredito que dá pra melhorar nossa política”.

“E o caminho para isso é através da educação, da informação. Quanto mais gente tiver ciência do funcionamento dessa máquina, mais rápido a gente vai conseguir consertá-la”, finaliza.